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09/08/2018       


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E no meio do escuro veio a lua, iluminada, básica, brilhante e única.

Seus olhos de diamante questionavam onde estaria seu grande amor.

Triste, pedia as estrelas para que iluminassem cada ponto da escuridão, pois seu amor tinha partido, deixando no peito tamanha solidão.

As estrelas em rebanho brilhavam e brilhavam cada vez mais forte iluminando no horizonte a procura do que deixaria a mãe lua feliz.

 E assim a incessante busca tomava conta de todas as noites. E o céu estrelado e sumptuoso fazia casais felizes e apaixonados por instantes. E por 12 horas dia após dia a Lua procurava seu amor que se escondia.

Um dia, já deprimida, fraquinha. Em sua crescente fase, já quase sem forças pediu ao mar, que por sua grandeza quase infinita pedisse a seus filhos rios e seus primos lagos que procurassem por toda parte, aquele do maior brilho, o mais lindo bem que ela já conheceu.

E o ancião mar com seu conhecimento vasto lhe respondeu:

Querida Lua, seu bem também é meu. A lua aborrecida sem entender a força da divindade pôs-se a chorar.

A mãe natureza sem entender tamanha tristeza quis consolar:

Pequena filha do mundo, astro único da noite.  És tu  a dona da mais pura beleza. És a ti que os animais agradecem quando na selva a penumbra se manifesta. Não fique triste estás tão magrinha.

Teu filete quase sem brilho não ilumina mais as matas. O coitado do vagalume tem tido trabalho dobrado para que as formigas possam trabalhar em paz nesse pretume.

As estrelas, tuas filhas, estão desesperadas, estão tendo que multiplicarem-se mais rapidamente para que o breu não tome conta do planeta. Ó filha, com muito amor lhe peço, que humildemente volte ao teu trabalho e com o tempo teu coração será preenchido como o de todos os enamorados que por ti já choraram.

E a Lua sensibilizada com tal discurso teve seu regresso, sentiu-se bela novamente e cada vez brilhava mais forte com a finalidade da natureza ajudar. Todos os seres do planeta mandavam raios coloridos de alegria em sua direção, bendizendo sua presença em cada escuridão. As estrelas chamaram seus primos e a cada meteoro que surgia uma estrela cadente trazia um movimento especial no céu.

E assim passaram – se dias, até que a nuvens carregadas de alegria surgiram na calada da noite e admirando tamanho espetáculo noturno, resolveram contar ao Sol o que acontecia, quando ele adormecia.

O sol curioso e frondoso resolveu espiar e prometeu que quando chegasse uma nova estação, no caso o verão, iria em algo pensar. E assim chegando o verão, o sol brilhava forte de dia e ao final da tarde as nuvens o ajudavam para recolher-se um pouco mais tarde. Assim, a lua surgiria mais cedo.

Por anos, os dois apaixonados viveram a aflição de verem sem se tocarem, de se amarem, mas não se encontrarem.

E um dia toda a natureza, numa reunião turbulenta, se organizou para conversarem com Deus. Gaya com toda sua força pediu a todos seus habitantes que numa transmissão de energia incessante pedissem com muita fé.

Gaya com suas palavras simples, mas cheia de amor mandou recado pelos anjos. E suplicou, em especial aos índios com os quais tinha tamanha afinidade, que ajudassem na comunicação. E assim discursou:

Ó Pai, sei que sois a única verdadeira estrela desse universo, sei que criaste tudo a caminho da perfectibilidade, e quem sou eu para palpitar na sua criação. Mas a Lua encontra-se triste longe do sol, que seu coração encantou. Como pode sentimento tão bonito, permanecer aflito? Tende piedade desses corações apaixonados, que separados pela distância, hoje choram de amor.

E naquele dia, uma luz muito forte com cores indescritíveis se fez presente na linha do horizonte. E exatamente às 17 horas a lua e o sol se encontraram. Parecia um só astro, uma só esfera, o fenômeno era lindo.

Todas as pessoas saíram de suas casas e choravam de emoção. Algumas crianças com medo, alguns animais agitados, era a presença divina que estava naquele encontro. O céu emocionado ficou em um azul anil maravilhoso, as nuvens se abraçavam formando um desenho de rede no céu. As plantas curiosas ficavam mais verdes, os animais felizes se reuniam para comemorar.

E os casais da Terra foram dominados por gotículas de paixão. E assim aconteceu o que todos chamam de eclipse.  A lua e o sol depois desse encontro desenvolveram tal sinestesia que não precisam mais estar perto todo dia para se amarem.

 Mas de vez em quando, Deus com sua infinita benevolência ainda nos dá um eclipse de presente para que os casais, crianças, plantas e animais recebam as gotículas de paixão para fazer da Terra um lugar melhor…

Ticiana Oliveira 28 de julho de 2009