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Baader-Meinhof Blues

21/11/2020       

Às vezes eu tenho a impressão de que qualquer manifestação, movimento e protesto em nome da qualquer causa é muito mais eficiente ao alcançar quem é sensível a ela, ao invés do transgressor.

Isso acontece em todos os segmentos, como racismo, homofobia, pedofilia, violência contra a mulher e a criança etc...

Por exemplo, tome o dia de combate a pedofilia.

Os jornais estampam em primeira página manchetes com casos de pedofilia. Uma história mais triste que a outra; ressaltam centros de amparo às vitimas e etc. Mas quem acha realmente que um pedófilo vai ler a triste história cujo desfecho ele sabe por ele mesmo ser responsável? Pedófilo é ciente de seu crime. A prioridade da campanha contra pedofilia deveria ser ameaçar quem é pedófilo, ao invés de sensibilizar quem não é. Mas quem não é representa a maioria, então sabemos para quem a matéria vende mais.

O mesmo se aplica à homofobia.

Alguém acha mesmo que um homofóbico está preocupado em saber a história triste de quem pertence à comunidade LGBTQIAP+? LGBTQIAP? Menos ainda está interessado na sigla, cada vez maior a propósito.

O que ele precisa saber é que homofobia é crime e pode render ao criminoso 3 anos de prisão, e é mais que necessário estabelecer estratégias para que a intimidação alcance o homofóbico, não quem não é.

O mais engraçado mesmo são as manifestações políticas. São manifestações que têm de tudo e de todos, menos políticos. E quando um ou outro brota por lá, o objetivo é fazer política, é claro.

Enquanto pessoas do bem se reunirem em um local público para protestar contra a corrupção política, para o político está tudo bem. Afinal, ele sabe que quem se submete a mentir dentro da residência do eleitorado o faz por não se sensibilizar por ser reprimido por isso.

Podem até começar a quebradeira do patrimônio público. O político caga e anda pra isso.

Mas ninguém pensa que seria uma boa ideia que a reunião se concentrasse frente à residência do político, que ameaçasse tomar seu patrimônio (construído à custa da corrupção) ao invés de quebrar o patrimônio público cujo principal usuário é o cidadão.

E quando finalmente alguma manifestação é mais incisiva com o político corrupto, surge a imprensa para reprimir os manifestantes, promovendo a “manifestação pacífica”, mesmo que a violência esteja sendo empregada. Basta apenas encurralar o político, que a mídia salvadora surge para ensinar aquilo que ela não faz.

É a mesma imprensa que quer combater a homofobia discursando para quem não é homofóbico; pedofilia para quem não é pedófilo; e racismo para quem não é racista.

E por falar em racismo, a cereja do bolo: HOMEM NEGRO É MORTO POR SEGURANÇAS DO CARREFOUR.

Contam a tristeza do caso para ser vendida para quem não é racista, até porque só vi as fotos da vítima. Ninguém estampa a fuça dos criminosos nos veículos de comunicação, para todos saberem quem são, e dessa forma não escaparem do crivo da sociedade. Parece até aqueles menores infratores que não podem ter os rostos expostos.

A mídia está concentrada em indignar quem é do bem, e a tática surte efeitos.

Pelo Brasil a fora milhares de manifestantes se concentram em frente às unidades da franquia Carrefour, algumas vezes até promovendo um quebra-quebra, esquecendo que a maioria das pessoas que trabalham nessas unidades são pessoas de bem que têm seus empregos e integridade física ameaçados por causa da atitude de dois despreparados.

E é essa generalização que precisa ser repensada, principalmente no racismo.

A luta contra o racismo é uma batalha justa, e o racista precisa ser severamente punido.

Mas alguns fundamentalistas do combate ao racismo confundem a causa e quer punir o branco como um todo, adotando falas e medidas para que qualquer pessoa se sinta mal pelo simples fato de ser branco, como se todo branco fosse racista.

Enquanto isso quem de fato é racista surfa no anonimato e se diverte com a discussão e quebra-pau entre aqueles que não são racistas.

De uma vez por todas, a briga pela justiça social precisa se concentrar em punições severas aos transgressores e proteção às vítimas, ao invés de concentrar os interesses de uma minoria cujo principal interesse é vender o assunto.

 

FSdN

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=T1DgI2K70JI